Inteligência artificial 'bate' médicos na detecção de câncer de pele

Cientistas montaram um conjunto de cem imagens de lesões, especialmente difíceis de serem classificadas, para avaliar a capacidade de diagnóstico do sistema

Postado em: 29/05/2018
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O uso da inteligência artificial no auxílio a diagnósticos com base em exames de imagens é uma realidade cada vez mais próxima da prática clínica, em que deve melhorar a detecção precoce de doenças como o câncer de pele, pulmões e seios. E não é por menos, já que com o avanço da tecnologia esses sistemas estão demonstrando um desempenho comparável, ou até melhor, do que médicos com anos de experiência, como evidencia estudo publicado ontem no periódico científico "Annals of Oncology".

Nele, pesquisadores liderados por Holger Haenssle, da Universidade de Heidelberg, Alemanha, "treinaram" uma rede neural com mais de cem mil imagens de diferentes tipos de lesões na pele, malignas ou benignas. Depois, com ajuda de dois experientes dermatologistas, os cientistas montaram um conjunto de cem imagens de lesões especialmente difíceis de serem classificadas para avaliar a capacidade de diagnóstico do sistema, convidando dermatologistas de todo o mundo a realizar o mesmo teste.

Ao todo, 58 médicos de 17 países responderam à convocação dos pesquisadores. Com base apenas nas imagens, na média, esses dermatologistas obtiveram uma sensibilidade, isto é, o diagnóstico correto dos casos de melanoma, com menor taxa de falsos negativos, de 86,6%, e uma especificidade, ou seja, a indicação acertada de pintas benignas, com minimização dos falsos positivos, de 71,3%. Já a inteligência artificial atingiu uma sensibilidade de 95% com especificidade de 82,5%. Números que permaneceram superiores ao desempenho dos médicos mesmo depois que eles receberam informações clínicas dos pacientes, como idade, sexo e local da mancha no corpo, o que elevou sua sensibilidade para 88,9% e especificidade para 75,7%.

- O uso da inteligência artificial é uma tendência irreversível que vamos ver cada vez mais na medicina, principalmente na radiologia e na dermatologia, em que os computadores tem uma capacidade enorme de fazer avaliações a partir do reconhecimento de padrões em exames de imagem - diz Cristiano Guedes Duque, oncologista do Grupo Oncoclínicas no Rio. - Não é que as máquinas substituirão os médicos, mas elas vão acelerar, facilitar e melhorar nosso trabalho, e nós médicos vamos ter que aprender a conviver com isso.

Opinião similar tem Gustavo Meirelles, gestor médico de Estratégia e Inovação do Grupo Fleury:

- A inteligência artificial é uma ferramenta muito poderosa para auxiliar os médicos tanto no diagnóstico quanto nas decisões de tratamento e acompanhamento dos pacientes e, por isso, das inovações em Saúde, é das que ganham cada vez mais espaço. Um deles é nesse reconhecimento de imagens a partir de bancos de dados, o que faz com que sirva para ajudar no diagnóstico precoce na dermatologia. Mas é um método para auxiliar, e não para substituir os médicos.

Fonte: O GLOBO

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