Novo presidente da Associação Médica de Brasília fala sobre problemas da área no DF e no Brasil

Cirurgião plástico Ognev Cosac critica o SUS por investir milhões de reais em práticas integrativas enquanto os hospitais públicos sofrem com a falta de verbas

Postado em: 20/07/2018
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Em 1969, o goiano Ognev Cosac saiu de Cristalina, a 130 km de Brasília, para cursar o ensino médio na capital. Daqui, não saiu mais. Formado em medicina pela Universidade de Brasília (UnB), especializou-se em cirurgia plástica e hoje, aos 64 anos, nem pensa em aposentar o bisturi. Além de atender no consultório particular, ele participa de mutirões filantrópicos de cirurgia reparadora em vários estados brasileiros. Em setembro do ano passado, Cosac assumiu mais um compromisso: a presidência da Associação Médica de Brasília (AMBr), federada da Associação Médica Brasileira (AMB), um órgão que tem como principal objetivo a defesa da classe médica.

Brasília tem cerca de 15 mil médicos ativos, um número que Cosac acha mais do que suficiente. Porém, considera grave a distribuição dos profissionais na rede pública. Há concentração no Plano Piloto, enquanto muitas regiões administrativas sofrem com a falta de algumas especialidades, como pediatras. À frente da AMBr até 2020, ele pretende aproximar mais os profissionais da população: “A relação da classe médica com a sociedade poderia ser melhor, principalmente na linha de frente do atendimento médico nos hospitais primários”, reconhece o médico.

Um problema que Cosac pretende enfrentar durante sua gestão é a falta de consulta à classe médica quando são elaboradas leis que envolvem a saúde. De acordo com ele, projetos que ampliam práticas antes restritas à medicina a outras profissões, como dentistas e fisioterapeutas, prejudicam os médicos e a população. O presidente da AMBr lamenta que a entidade seja pouco ouvida. “A classe médica acaba tendo de correr atrás do prejuízo, quando poderia participar da elaboração dos projetos de lei de forma mais proativa.”