Cientistas pedem Arca de Noé da flora intestinal

Sociedades urbanizadas perderam parte substancial de sua diversidade de microbiota

Postado em: 05/10/2018
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Em pesquisas diversas, cientistas têm apontado a importância da microbiota para os humanos, tanto na prevenção quanto no tratamento de doenças. Mas a perda da diversidade de bactérias que compõem o intestino coloca esses benefícios em xeque. Preocupados com esse cenário, pesquisadores americanos sugerem a criação de um cofre global desses micro-organismos para proteger a Saúde da humanidade a longo prazo. O pedido foi publicado em um artigo opinativo, na edição desta semana da revista Science. 

Os autores defendem que a Arca de Noé de germes seja coletada de populações humanas cujos microbiomas não são comprometidos por situações como a ingestão de antibióticos e dietas processadas. "Esses micróbios coevoluíram com seres humanos ao longo de centenas de milênios. Eles nos ajudam a digerir alimentos, a fortalecer nosso sistema imunológico e a proteger contra germes invasores. Durante um punhado de gerações, vimos uma enorme perda na diversidade microbiana associada ao aumento mundial de distúrbios imunes e a outros problemas de Saúde", destaca, em comunicado, Maria Gloria Dominguez-Bello, principal autora do artigo e professora do Departamento de Antropologia da Universidade Rutgers-New Brunswick, em Nova Jersey. 

Futuros tratamentos 
Segundo os cientistas, um dia, poderá ser possível prevenir doenças reintroduzindo micróbios perdidos. Mas, para isso, é preciso coletar esses micro-organismos de populações remotas da América Latina e da África que têm a maior diversidade de microbiota. As que vivem em sociedades urbanizadas perderam uma parte substancial de sua diversidade de microbiota. A flora intestinal da maioria dos americanos, por exemplo, é metade da diversidade dos caçadores-coletores de aldeias amazônicas isoladas, segundo os autores. 

Os cientistas também alertam no texto que é necessário um esforço internacional, incluindo financiamento significativo, para a coleta e o armazenamento dos micróbios que serão guardados no repositório global. "Estamos enfrentando uma crescente crise global de Saúde que exige que capturemos e preservemos a diversidade da microbiota humana enquanto ela ainda existir", reforça Maria Gloria Dominguez-Bello. 

"Durante um punhado de gerações, vimos uma enorme perda na diversidade microbiana associada ao aumento mundial de distúrbios imunes e a outros problemas de Saúde" 
Maria Gloria Dominguez-Bello, principal autora do artigo e professora do Departamento de Antropologia da Universidade Rutgers-New Brunswick (EUA)

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE

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