AMBr realiza, em parceria com a SBC-DF, PEC “Doença Cardiovascular na Mulher”

Evento teve a participação de médicos de diversas especialidades, que puderam aprender mais sobre o manejo da paciente, para uma atenção integral, e atendimento de mais qualidade

A Associação Médica de Brasília (AMBr), em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC-DF) realizou, na sexta (12) e sábado (13) de abril, o Programa de Educação Continuada (PEC) – Doença Cardiovascular na Mulher.

Durante as palestras, especialistas esclareceram e debateram particularidades, fatores de risco, tratamentos, mitos e verdades sobre doenças cardiovasculares, quando estas acometem mulheres.

O Diretor de Planejamento da Associação Médica e médico cardiologista, Dr. Nasser Sarkis, abriu o evento questionando a necessidade de haver um cardiologista específico para a mulher. “É necessária uma cardiologia da mulher? Eu acho que não. Precisamos de um médico sério, que atue. O Brasil está caminhando para neologismos que funcionam muito mais como reserva de mercado para justificar a incompetência e a omissão. Criar essas pseudoespecialisades não ajuda. As barreiras estão no conhecimento do médico. Precisamos que o profissional estude, se dedique e conheça”, disse.

Membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da EndocrineSociety, Dra. Ruth Clapauch fez uma abordagem histórica do desenvolvimento do conhecimento hormonal. A endocrinologista falou sobre a influência da menopausa e da terapia de reposição hormonal para os riscos cardiovasculares.

Dra. Ruth Clapauch chamou a atenção para a prevenção dos fatores de risco. “Como a gente pode prevenir? Porque a doença, quando já está instalada, acaba sendo demandada para o cardiologista. Mas o papel do médico é prevenir e evitar que chega nesta fase última”, disse.

Dra. Mariani Batista, médica endocrinologista, abordou a influência da testosterona na menopausa no risco cardiovascular. De acordo com a especialista, apesar de muitos estudos serem conduzidos sobre este tópico, “as consequências cardiovasculares a longo prazo da terapia com testosterona permanecem obscuras”, disse.

Mariani Batista destacou que a EndoSociety e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia não aprovam o uso generalizado de andrógenos em mulheres, apesar de existirem evidências da segurança do seu uso a curto prazo (em estudos com mulheres ooforectomizadas).

O presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Regional DF), Dr. João Lindolfo Borges, explicou aos presentes sobre o uso da vitamina D em mulheres. “A vitamina D ativa modula a síntese de PTH, aumenta a absorção de cálcio pelo intestino e está relacionada a melhor massa óssea e função muscular. As fontes dessa vitamina em alimentos estão escassas, e a produção tem sido cutânea, catalisada pelos raios UVB solares”, destacou.

Cardiologista, Dr. Anderson Rodrigues, em sua palestra “Epidemiologia da doença cardiovascular na mulher” destacou que “vivemos, hoje, uma transição epidemiológica”. De acordo com Dr. Anderson Rodrigues, “existe uma notável mudança de faixa etária em relação à morte, morbidade, invalidez e o processo é caracterizado por uma diminuição na mortalidade por doenças transmissíveis, infecciosas, passando pelas doenças cardiovasculares e neoplasias”, disse.

Na ocasião, o Dr. Fábio Passos somou conhecimento na palestra sobre “Tromboembolismo Pulmonar (TEP) na Gestante, sem Cardiopatia”. O médico descreveu a visão do obstetra com reflexões sobre o tema, onde enfatizou a teoria na pré-eclampsia placentária, mas com origem cardíaca – baseado em um vídeo de um professor de Londres.

O Dr. Eustáquio Ferreira Neto compartilhou seu conhecimento  em palestra sobre “Arritmias Cardíacas na Gravidez”. Especialista no assunto, ele esclareceu que, pelo avanço das técnicas das cirurgias cardíacas congênitas e valvares, e pelo aumento da idade das mulheres terem filhos, tem havido uma maior prevalência de arritmias na gestação. “Felizmente a maior parte é benigna”, destacou, embora os médicos devam ficar em alerta sobre os riscos.

Já a Dra. Antônia Marilene da Silva palestrou sobre “Insuficiência Cardíaca na Gestação”. A cardiologista frisou que cardiopatia é considerada a maior causa não obstétrica de morbidade e mortalidade materna. “No Brasil, a incidência de cardiopatia na gravidez é de 4,2%, oito vezes maior quando comparada a estatísticas internacionais. A cardiopatia secundaria à doença reumática, tem proporção na gravidez estimada em 50%,  entre outras cardiopatias”, disse.

A médica informou ainda, que, durante o trabalho de parto, o débito cardíaco aumenta como resultado das contrações uterinas e do esforço materno. Após o parto, a maioria das alterações é rapidamente revertida nas primeiras duas semanas, com posterior normalização em relação aos valores de pré-concepção – após 3 a 12 meses.

Por fim, as médicas Marilda Cristina Gaia Ferraz e Thais Lauand palestraram, respectivamente, sobre Cardiomiopatia Periparto e Prognóstico e sobre Diabetes Gestacional – Aumenta o Risco Cardiovascular?

A matéria completa pode ser acompanhada na edição nº 184 da revista Médico em Dia. A publicação estará disponível para leitura no mês de maio.

Facebook
Twitter

Mais Noticias...


Comentários



Adicionar Comentário




© Copyright 2019. AMBr - Associação Médica de Brasilia