Em entrevista ao Correio Braziliense, o neurologista Pedro Renato de Paula Brandão, associado da AMBr, explica se é possível

Pessoas de todas as idades caem nas pegadinhas que estão rendendo gargalhadas ao longo do dia. Muito mais os idosos. Segundo especialistas, existem condições sociais e fisiológicas que os deixam vulneráveis a mentiras e fake news. A maioria das situações rende risadas. Existem, porém, os casos graves, como os golpes na porta dos bancos. E ainda o risco de ter a saúde mental afetada ao descobrir o erro, o que pode levar ao isolamento e à depressão.

Segundo Mariana Ruback, geriatra do Grupo Altevita, a combinação de duas condições deixa idosos mais suscetíveis aos golpes: redução no ritmo de funções cerebrais e aumento na dificuldade em acompanhar novos recursos do dia a dia, principalmente os tecnológicos. “Se colocarmos vítimas para fazerem testes de memória, de cognição, muitas atingirão a pontuação normal. Geralmente, o que falta é familiaridade para usar o smartphone, pagar um serviço pelo aplicativo”, ilustra.

A médica ressalta que é grande a barreira que impende homens e mulheres mais velhos de fazerem parte de um mundo cada vez mais tecnológico. “Às vezes, a vontade e a necessidade de serem incluídos são tão grandes que alguns idosos acabam extrapolando as recomendações de segurança”, diz Mariana Ruback.

Entre as derrapadas mais comuns está a disseminação de fake news pelas redes sociais. Ao acompanhar 3,5 mil internautas de diferentes idades, pesquisadores das universidades de Princeton de Nova York, nos Estados Unidos, concluíram que aqueles com 65 anos ou mais compartilharam sete vezes mais artigos de portais de notícias falsas do que o grupo mais jovem (de 18 a 29 anos). O estudo foi divulgado em janeiro, na revista científica Science Advances.

Cérebro

O neurologista Pedro Renato de Paula Brandão, presidente da Sociedade de Neurologia do Distrito Federal, diz que não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito entre a maior vulnerabilidade de idosos em cair em golpes e mudanças cerebrais. Porém, o envelhecimento muda capacidades como flexibilidade cognitiva e memória operacional. E essas são funções que podem fazer falta diante de uma história escorregadia.

“Por outro lado, os idosos têm uma maior memória semântica, o dicionário da vida. Por isso, é difícil estabelecer uma relação direta. Provavelmente, essa questão de vulnerabilidade está mais associada a falhas na tomada de decisão”, acredita. O médico lembra que a situação muda se a pessoa estiver em um quadro de demência, mesmo em estágios iniciais. “Em caso de adoecimento, ela é incapaz de realizar atividades rotineiras, como lidar com dinheiro e manejar uma viagem. Esses idosos são mais sujeitos aos golpes, inclusive os cometidos por familiares”, enfatiza Pedro Renato de Paula Brandão, também associado da Associação Médica de Brasília.

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