ESCLARECIMENTOS FINAIS

A respeito da Nota emitida em 23/03/2021 pela Associação Medica Brasileira (AMB), intitulada Boletim 2/2021, a Associação Médica de Brasília (AMBr) assim se manifesta:

Esta federada, desde o início da atual gestão, tem consignado integral apoio à autonomia médica, posicionando-se contra qualquer orientação que despreze a soberania clínica fundamentada na experiência e no saber de cada profissional Médico. Esta é a orientação do Conselho Federal de Medicina.

Entendemos que o Boletim emitido pelo Comitê instituído pela AMB inibe essa liberdade de prescrição, particularmente nos itens 7 e 8.

A COVID 19 colocou a classe médica e a sociedade como um todo diante de uma série de paradigmas e de angústias que se alternam com esperanças.

Todos temos vivido a dolorosa perda de familiares e amigos. Todos temos sido desesperadamente acionados por pessoas aflitas, cheias de dúvidas, ansiosas por orientação medicamentosa, vagas em hospitais e UTIs, buscando tratamentos para salvar suas vidas ou a dos seus próximos.

Todas as entidades médicas têm sido chamadas ao protagonismo, por isso, tantas contradições e polarizações. É humano, é normal. É verdade que não podemos nos acomodar na situação de pedras, lançando-nos sobre telhados sob os quais estamos todos, igualmente, abrigados. Mas não há como negar que as insuficiências de ordem física, no que tange ao número de leitos e unidades de tratamento da doença que ora assusta o mundo, resultam também de escolhas e práticas políticas e gerenciais equivocadas ou ineficientes num passado recente.

Tomar decisões difíceis sob pressão é próprio da vivência médica. Mas confina-las dentro de uma visão ideológica é perigoso. Assim, por mais desejosos que sejamos da palavra uníssona, não temos como, neste momento, acompanhar as orientações contidas no manifesto da nossa AMB, que abre preocupante janela contra a verdadeira autonomia dos médicos para suas prescrições e condutas, amparadas na orientação do Código de Ética Médica, na experiência clínica e na sincera vontade e necessidade do paciente. No momento em que se condena práticas medicamentosas, demonizando e desqualificando medicações e tratamentos exitosos nas mãos de muitos colegas, instala-se uma indesejada violação da autonomia médica.

Não se propõem aqui que os profissionais médicos abram mão de seus ideais filosóficos. Mas é inconcebível que o transfiram aos pacientes, seja qual for o viés escolhido. Negar a possibilidade de uma intervenção precoce pelo simples fato dela estar associada a um tipo de ponderação é qualquer coisa próxima da desumanidade. A vida inteira a medicina postulou pela prevenção e intervenção rápida e profilática. Não compreendemos o abandono dessa postura.

Desejamos sinceramente que haja serenidade e respeito entre as opiniões. A classe médica já sofre exaustivamente com as peculiaridades de sua missão às quais foram agregadas penúrias da vida atual. Somos totalmente favoráveis à todas as medidas de prevenção. Mas precisamos, neste momento, nos posicionar. É o que fazemos ao escolher NÃO ENDOSSAR a missiva da AMB.
Que os Deuses protejam a Saúde de todos.

Associação Médica de Brasília

Facebook
Twitter

Mais Noticias...


Comentários



Adicionar Comentário




© Copyright 2019. AMBr - Associação Médica de Brasilia